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Um manifesto Free Free pelo Dia das Mães

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Ser mãe é transcender. E enquanto outras experiências transformadoras dependem de fatores externos, a maternidade é um turbilhão interno que envolve diversos sentimentos e sensações. E mais do que isso. Nos conectamos com a nossa energia mais profunda feminina.

Um amor incondicional que faz ser possível mensurar o significado de infinito. O medo de que o mundo não seja gentil ou permita que os sonhos de seu filho ou filha se realizem. A culpa ao ter que repreender, mesmo sabendo que você está certa. A coragem para fazer o que for preciso e enfrentar qualquer dificuldade.

Ser mãe não é abrir mão de si, mas mudar toda a forma de ver a vida. É sentir gratidão mesmo após descobrir um novo patamar de cansaço com noites mal dormidas. É sentir empatia por dores que não são suas, mas que também doem em você, afinal nossos filhos vão sofrer ao longo da vida e isso faz parte do crescimento deles. Não podemos evitar, mas podemos estar lá para eles. É sentir orgulho de toda conquista, por menor que seja. É errar e acertar. E não há livro, vídeo, dica, conselho ou tutorial que possa impedir nossos erros. Eles também fazem parte.

Para ser mãe não é preciso necessariamente passar pelo processo orgânico da gravidez. Podemos hoje escolher não sermos mães biológicas, mas aqui a maternidade que falamos é na verdade uma forma de amar. Além de mães, também somos filhas e carregamos em nossa essência a ancestralidade que nos conecta às mulheres do passado que podem ter tido hábitos e crenças diferentes das nossas, mas que compartilharam esses mesmos sentimentos que nós temos.

E por falar em compartilhar, todos temos ainda uma mãe em comum, que é a terra que vivemos, implacável em sua força. Na mitologia, do Caos nasceu Gaia, nossa Mãe-Terra, geradora da vida. E não é que o mesmo se aplica à nossa maternidade? Pois é de um caos que vem de dentro que mudamos paradigmas e prioridades quando nos tornamos mães. Parafraseando Beauvoir, ninguém nasce mãe, torna-se. E se você ainda não percebeu isso sozinha, já adiantamos que esse processo não tem começo, meio e fim. É cíclico. Sempre vamos aprender coisas novas com nossos filhos, sobre eles e sobre nós mesmas. Nada mais lindo e dolorido para uma mãe do que ver os passarinhos saírem do ninho para voarem por conta própria. Queremos estar lá para amparar todos os tropeços e quedas, mas em determinado momento não podemos interferir na inevitável independência. Apenas confiar que a outra mãe, a Mãe-Terra, será acolhedora.

Muitas mulheres não só tem o sonho da maternidade, mas associam que ser mãe é algo determinante para sua realização, para se sentirem completas. A sociedade também cobra muito isso e, ao chegar em determinada idade, a pergunta sempre vem: já pensou em ter filhos? Está na hora hein! Essa pressão deve ser ignorada, porque ser mãe ou não é um desejo que deve partir exclusivamente de dentro, de você. E para quem quer ser mãe, mas está com dificuldade de engravidar, o processo pode ser cansativo, uma mistura de fé e expectativa com frustração nos dias em que se sabe que não foi dessa vez. Já para quem não pode ter filhos, mas quer ser mãe, sempre existe a possibilidade de adoção, que vai trazer tanto amor para a sua vida como uma gestação. Essa possibilidade deve ser avaliada com carinho. Saber que tudo aquilo que você tem para oferecer pode e será muito apreciado por alguém que precisa receber esse afeto. Sim, o seu amor pode mudar outra vida além da sua. Mas não ser mãe, seja pelo motivo que for, não deve ser uma dor. Podemos ressignificar nossos sentimentos e utilizar essa mesma energia para outras coisas que também vão nos preencher.

Por muitos anos fomos governadas por dogmas, mas precisamos lembrar que antes, muitos séculos antes, as mulheres eram celebradas como divindades justamente pelo seu poder de gerar vida. Os anos de predominância do patriarcado que vieram depois deixaram claro que, hoje, tanto homens quanto mulheres devem entrar em contato com a sua deusa interior, porque as energias masculina e feminina existem e fluem em todos nós. Para cuidar de nossos filhos, de nós mesmas e da Mãe-Terra devemos criar, gerar, construir, curar e amparar. Ou seja, todos devemos ser um pouco mais mães. Filhas. Irmãs. Avós. Bruxas. Selvagens. Leoas. Lobas. Livres.

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