Como manter a saúde emocional durante a crise?

Talvez a sensação de controle seja sempre falsa. Não podemos prever quando algo ruim vai acontecer, como um acidente. Mas viver em estado de alerta é bastante complicado. Já é difícil ter que lidar com a nossa saúde emocional no cotidiano, apenas com a vida frenética que levamos. E fica mais difícil ainda no atual momento, com tantas incertezas.

Não se trata apenas do risco de contrair um vírus e a preocupação com as pessoas que gostamos que são mais frágeis. A sensação é a de estarmos estagnados, sem saber quando tudo voltará ao normal.

É muito bom ficar em casa e aproveitar o conforto do nosso cantinho, mas somente se isso for uma opção, e não uma necessidade. Não é o caso de discutir se as reações sobre à atual pandemia são exageradas ou se a preocupação é real, mas é inegável que estamos vivenciando um sentimento de angústia coletivo.

Angustiados ao ir no mercado e não encontrarmos os produtos que queremos. Com saudades de pessoas que gostamos, mesmo aquelas que vimos há pouco tempo, mas que agora não devemos ver. Saudades da nossa rotina.

O momento pede cuidado. Cuidar de nós e dos outros. É preciso ter em mente que tudo isso vai passar, que mais pacientes vão se curar do que morrer e que na maior parte dos casos os sintomas são leves ou não se manifestam.

Cuide do seu corpo <3
Mesmo com academias fechadas, se puder fazer exercícios em casa, meditar e ter uma boa alimentação, essas coisas são fundamentais para manter a saúde física e emocional.

Arrume a casa <3
É muito gostoso estar em um lugar limpo e organizado. Na rotina, às vezes deixamos tarefas domésticas para outra hora. Além do resultado ser bom, dá para aproveitar o processo de forma terapêutica, não como uma obrigação.

Evite o excesso de informações <3
Ficar conectado com as notícias o tempo todo causa mais preocupação e inquietação. É válido filtrar a quantidade e qualidade das informações, estabelecer um período do dia para se informar, e procurar histórias positivas. Elas também estão acontecendo.

Se conecte com pessoas <3
Felizmente não faltam ferramentas para entrarmos em contato com as pessoas que amamos. Ligue ou faça chamada de vídeo com uma amiga ou familiar, só para dar um oi e jogar conversa fora. Temos que ficar fisicamente distantes, mas sempre estaremos perto das pessoas que são especiais.

Faça coisas que gosta <3
Hora de pegar aquele livro que ficava te olhando na prateleira. Dançar sozinha na sala de casa. Fazer uma experiência na cozinha, sem pretensão de dar certo. Maratonar uma série. Fazer coisas criativas como pintar, desenhar, costurar. Tentar se divertir e aproveitar da melhor forma o tempo disponível.

E pode confiar, vai passar. Se aquela voz interior tentar te preocupar, respire profundamente, pare o que está fazendo, feche os olhos. A vida é um jornada e cabe a nós mesmos torná-la leve e agradável, independentemente das adversidades.

Estamos juntxs sempre, mesmo que não fisicamente no momento.


Nosso manifesto por um mundo com mais equidade de gênero

Insatisfação. Muitas de nós estão constantemente insatisfeitas. Insatisfeitas com nossa aparência. Insatisfeitas com nossos relacionamentos. Insatisfeitas com a ausência de um relacionamento. Insatisfeitas em receber menos no trabalho.

Mas foi justamente essa insatisfação que fez as mulheres do passado iniciarem uma jornada que transformou e continua a transformar nossa posição na sociedade. E nós vamos chegar lá, na tão sonhada igualdade.

Somos a soma das mulheres incríveis que vieram antes de nós, das pioneiras do presente que nos inspiram com seu trabalho e, juntas, vamos preparar um mundo melhor para as meninas que ainda virão.

Somos mães, filhas, empresárias, trabalhadoras, chefes de família, donas de casa, donas da nossa própria vida. Somos mulheres.

Aprendemos que nossos corpos merecem ser amados, do jeitinho que são, e não precisamos seguir padrões estéticos e irreais que por anos foram impostos pela mídia. Aprendemos que é muito bom ter um relacionamento, desde que ele seja de fato uma parceria, com respeito e carinho. E que também não é triste ficar sozinha ou optar por não ter filhos.

Aprendemos que ninguém deve se cobrar para ser uma mulher-maravilha: que acha que deve dar conta de ser bem-sucedida no trabalho, ser uma esposa sempre bem-humorada, criar e educar os filhos, fazer exercício sempre, manter a casa limpa e abastecida, e tudo isso com o cabelo arrumado e a unha feita. Não! Podemos ser imperfeitas. Podemos aprender errando. Podemos apenas ser. Aprendemos que saúde mental é muito importante e que nossas angústias não devem ser diminuídas.

E o mais importante: aprendemos o conceito de sororidade. Que juntas somos mais fortes e que nas horas de dificuldade podemos contar umas com as outras.

Queremos ver mais mulheres liderando e criando empresas. Queremos ver mais mulheres na ciência. Queremos que nenhuma mulher seja julgada pela roupa que usa e que o mundo seja um lugar seguro para todas.

Somos diferentes, somos únicas. Cada mulher é um universo particular com o potencial de fazer sua estrela brilhar. E para isso temos que ter oportunidades iguais!

Não é sobre cor, gênero, partido político. É sobre a mudança que o mundo pede, onde somos gente. Mulheres e homens que juntxs podem unir forças para transformar nossa sociedade.

A_gente acredita em um mundo melhor, onde todos possam viver com a liberdade de ser quem são, sabendo respeitar, acolher e principalmente aprender com as diferenças.

A_gente acredita em sorrisos, em histórias de vida, em experiências que agregam, em afetos que transformam, e em elos que curam. Não partimos do mesmo ponto, não temos os mesmo privilégios, mas a_gente tem esperança de ver um mundo melhor e seguimos em busca de uma sociedade menos desigual.

A_gente é um manifesto do Free Free que aborda a equidade de gênero, desigualdade social e preconceitos de forma geral. Acreditamos que acolher as diferenças é um ato revolucionário e que a melhor solução para a sociedade é o respeito e empatia.

Vamos juntas transformar isso em realidade?


Free Free vestiu a Riachuelo - Bate-papo do Dia Internacional da Mulher

No sábado (7) a Riachuelo abriu sua casa para receber o Free Free e um time de mulheres incríveis que representam, cada uma do seu próprio jeito, valores que acreditamos muito. A abertura foi feita pela Marcella Kanner, head de marketing da Riachuelo. “Hoje temos essa oportunidade para refletir juntas. Ainda temos muito a ser conquistado e nós, da Riachuelo, temos o propósito de transformar a vida das pessoas através da moda. Isso tem tudo a ver com autoestima”, disse.

A maravilhosa rapper Stella Yeshua fez a mediação do bate-papo. Antes de ser influencer, a Stella contou que trabalhou na Riachuelo e falou sobre a experiência de voltar à loja, dessa vez para participar de um encontro sobre uma causa que acredita muito que é a liberdade feminina. “Fazemos parte de um milênio de mulheres que se ajudam e se entendem. Temos que contribuir para fazer todas as mulheres chegarem ao topo” – Stella Yeshua

Em seguida, cada convidada falou sobre o que significa a liberdade para elas e como isso influenciou a construção de sua autoestima.

Comecei a odiar meu corpo com 9 anos. Passei por todo tipo de dieta, tive anorexia e bulimia, fiz lipoaspiração e tentei o suicídio, tudo isso porque estava aprisionada em um padrão estético que não era o meu. Liberdade para mim é a vida que tenho hoje. Graças a minha imagem conheci o feminismo e aprendi que o corpo deve ser livre. Isso conversa muito com o Free Free. O maior relacionamento abusivo que nós temos é com a gente mesmo, o meu durou 26 anos” - Alexandra Gurgel (@alexandrismos), fundadora do Movimento Corpo Livre que auxilia meninas e mulheres a amarem seu corpo e não se prenderem a padrões estéticos.

Minha história com liberdade está relacionada ao dinheiro. Aprendi com meu pai a guardar a mesada e minha mãe falava sempre que eu não devia depender de homem nenhum. Quando meus pais se separaram isso ficou mais claro ainda. Liberdade para mim é poder ter escolhas e para isso precisamos ter independência financeira. Existia uma mentalidade de que se você tem dívidas, a culpa é sua e não é assim. A principal parte do meu trabalho acontece pelo inbox no Instagram onde converso com as mulheres. Nunca vamos olhar para uma mulher e falar ‘seu problema é ser consumista, tá comprando muitas brusinhas’. As pessoas têm problemas e temos que entender o caso de cada uma para ajudar. Quando são independentes, as mulheres conseguem montar seu próprio negócio, comprar um apartamento e até sair de um relacionamento ruim” - Carol Sandler, fundadora da plataforma Finanças Femininas (@finançasfemininas), sócia e diretora de conteúdo da Ella’s Investimentos.

Com a experiência que teve como jornalista que cobria o mercado financeiro e a partir da história dos pais, a Carol montou o Finanças Femininas em 2012 ao perceber que apenas 20% do público que consome o conteúdo de sites de finanças são mulheres. Seu trabalho, mais do que resolver problemas ligados ao dinheiro é o de acolher mulheres que estão passando por dificuldades.

Todos os convidados se emocionaram muito com o relato de vida da Thelma do Vale, que participou do primeiro workshop realizado pelo Free Free. Ela se mudou do interior para São Paulo porque não tinha perspectiva de emprego em sua cidade natal. Depois de dois meses conseguiu trazer seus filhos para cá. Trabalhou como babá ganhando R$ 400 por mês, mesmo valor do aluguel que pagava na pensão onde morava. Com muito esforço conseguiu juntar dinheiro e financiar um apartamento próprio. Após se separar do pai de seus filhos, teve um novo relacionamento que acabou se revelando abusivo. Ela teve que se separar com medida protetiva. Perdeu seu emprego e o apartamento onde morava. Após ser encaminhada para participar do workshop, sua vida começou a mudar. Conseguiu bolsas e voltou a estudar. Se formou como maquiadora e hoje é independente.

A vida dá voltas e coloca pessoas boas no seu caminho. Me permiti ser cuidada e isso transformou a minha vida, sempre apoiei outras pessoas, mas tive um momento em que precisei ser apoiada. Podemos cuidar do próximo, mas sem esquecer de cuidar de nós mesmas, nos ajudar, nos valorizar e nos dar oportunidades primeiro” – Thelma do Vale

A última fala foi da Yasmine McDougall Sterea, fundadora do Free Free, que contou como o suicídio da mãe e, alguns anos depois, o nascimento de sua filha, a transformaram e motivaram a querer criar um projeto para que mulheres se sintam acolhidas e possam conquistar a vida que desejam. Sua experiência com o mundo da moda também foi um fator que contribuiu para a criação do Free Free.

Sempre trabalhei com moda e amava o trabalho criativamente, mas não me conformava com a moda que ditava padrões, que não incluía, mas excluía. Quando engravidei da Violeta, passei por um processo de transformação. Eu já tinha sucesso profissional e financeiro, mas não era livre porque eu não tinha trabalhado minha dor, o trauma que tive com a minha mãe. Comecei a estudar várias terapias para me curar e criei a metodologia do Free Free, usando a moda como uma ferramenta tangível.. Minha filha me deu a coragem de levar a minha carreira para um caminho diferente. Criar o Free Free não é somente uma missão minha, pessoal, de autoconhecimento, mas coletiva. Já impactamos milhares de mulheres e a ideia é impactar milhões. Levar liberdade física, emocional e financeira para meninas e mulheres” – Yasmine McDougall Sterea.

Você pode ver como foi o evento aqui.


Obrigada pelas flores, mas queremos mesmo é igualdade salarial e segurança

Sobre ganhar flores no Dia Internacional da Mulher por nossas qualidades como delicadeza, feminibilidade, espírito maternal, empatia: é verdade, algumas de nós temos essas características mesmo. Mas obrigada, preferimos que o agradecimento seja na forma de igualdade. Que, aliás, nem agradecimento é. É o básico. É o justo.

Ao contrário de outras datas de origem e propósito
comercial, o Dia Internacional da Mulher nasceu para lembrar a luta de mulheres
do início do século XX por melhores condições de trabalho, com jornadas em
fábricas que chegavam a 16 horas, seis dias por semana. Na mesma época, nos
Estados Unidos, mulheres marchavam para conquistar o direito de votar. A data
foi oficializada pela ONU em 1975.

De lá para cá, bastante coisa mudou, as mulheres conquistaram seu espaço, mas a igualdade ainda não é uma realidade. Segundo um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mesmo com uma queda na desigualdade salarial entre 2012 e 2018, as trabalhadoras ganham, em média, 20,5% menos que os homens no Brasil. A pesquisa também aponta que a diferença de horas trabalhadas por homens e mulheres está diminuindo...mas isso porque os homens diminuíram suas jornadas! Se em 2012 a diferença de horas trabalhadas por homens e mulheres chegava a 6 horas, em 2018 caiu para cerca de 4 horas e 48 minutos.

Isso não tem absolutamente nada a ver com a dedicação de
cada um ao trabalho, e está muito mais ligado ao fato das mulheres se dedicarem
não só aos seus empregos, mas também às tarefas domésticas, criação dos filhos.
A divisão dos trabalhos “fora do trabalho” ainda é bastante desigual.

Chamamos de divisão sexual do trabalho a construção social que no passado delegava funções ligadas à política e ao dinheiro ao homem, e tarefas domésticas à mulher. Isso está mudando a passos lentos e ainda é comum que as mulheres façam a “dupla jornada”, ou seja, além de trabalharem fora ainda fazem a maior parte do serviço doméstico em casa. Um estudo da  Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê que a desigualdade de gênero no trabalho doméstico só deve acabar daqui a 209 anos! O relatório ainda aponta que enquanto as mulheres de países em desenvolvimento gastam em média 4 horas e 30 minutos com o trabalho doméstico por dia, os homens gastam 1 hora e 20 minutos com esse tipo de tarefa.

Além dessa barreira no trabalho e serviço doméstico, temos ainda a questão da segurança. Quer fazer um teste? Digite a palavra “mulher” na pesquisa do Google e clique na aba “notícias”. Não faltam resultados sobre casos de violência e feminicídios. Para entender o privilégio masculino basta lembrar o caso divulgado há dois anos em que três estudantes da Flórida criaram um canudo que consegue identificar a presença de drogas em bebidas, uma forma de impedir que mulheres sejam estupradas. O caso, ao ser divulgado nas mídias sociais, teve vários comentários de homens brincando com a situação ao dizer coisas como “quero um canudo desse para saber qual bebida devo tomar para ficar louco”. Ou seja, enquanto as mulheres se preocupam em manter sua integridade física, alguns homens estão mais preocupados em se divertir.

Por essas questões, o Dia Internacional da Mulher é um
momento de pensar nas lutas do passado que nos permitiram avançar e o tanto de coisas que ainda precisamos conquistar.  E melhor do que ganhar flores é saber que não
estamos sozinhas nessa jornada. Vamos juntxs?