Essa é pras solteiras!

Eu sei que você é uma mulher independente, autossuficiente, que sabe o seu valor e que está em uma linda jornada para concretizar os seus objetivos.

Sei também que você tem plena consciência de que estar solteira não é nenhum problema, pelo contrário, e que hoje não faz mais sentido associar o sucesso pessoal de alguém com o fato de ter ou não um relacionamento.

Mas....

E quando bate aquela carência?

 

Porque a vontade de estar com alguém também existe. É humana e natural.

Melhor ainda se for um relacionamento onde há equilíbrio, responsabilidade afetiva, reciprocidade, respeito, parceria e mais uma lista de características que nos fazem pensar “Será que existe uma pessoa assim?” ou “Só com tudo isso para valer a pena eu abrir mão da minha liberdade!”.

Hoje é o Dia dos Solteiros, uma data criada para oferecer paridade ao Dia dos Namorados, e cabe fazer a reflexão de que não tem nada errado em estar sozinha.

Ser solteira não é um peso, um castigo ou uma vergonha. Também não quer dizer nada sobre a nossa personalidade.

 

 

Por muito tempo existiu essa visão pejorativa sobre ser solteira, principalmente no caso das mulheres. Enquanto um homem solteiro era visto como alguém aventureiro, que estava curtindo sua vida ao máximo em qualquer idade, a mulher era aquela que “ficou pra tia”, que deve ter uma personalidade muito difícil por isso não se relaciona.

Ter um relacionamento é bom, quando isso é algo que acrescenta, que torna a nossa vivência mais rica.

Nunca deve ser algo motivado pelo medo de ficar sozinha, de achar que é melhor ter um relacionamento mesmo que seja ruim do que não ter relacionamento nenhum.

E até quando é bom, saudável, a própria dinâmica de se relacionar com alguém é algo que vai testar os nossos limites. Quanto mais seguras estivermos sobre o que queremos para a nossa vida, o que consideramos positivo, mais fácil será o trabalho de aparar as arestas do convívio.

Imaginar aquele encontro de almas, um amor perfeito, também é complicado. O amor real tem uma parte de defeitos, de conflitos, e a graça é justamente ele ser real. Real sempre é melhor do que perfeito.

O pior dos mundos é estar em uma situação querendo estar em outra, isso é válido para quem está solteira querendo namorar e também para quem está com alguém querendo estar solteira.

É sempre bom fazer o exercício de avaliar se a nossa vida, no momento que estamos, oferece as oportunidades que precisamos para nos desenvolver.

Combater a inércia que nos mantém em uma zona de conforto que, ao invés de confortar, nos faz sentir estagnadas. E tentar também refutar o pensamento que sempre tenta nos avaliar pelo que falta, ao invés do que temos.

O problema de depositar a nossa felicidade de forma dependente de outra pessoa é que, em qualquer mudança, nos sentimos vazias, sem um propósito. Isso vale para relacionamentos amorosos ou até familiares, como nos casos da síndrome do ninho vazio que tantas mães passam com a saída dos filhos de casa.

Por isso é tão importante construir a sua própria felicidade independentemente de outras pessoas estarem no cenário ou não.

Não existe um período certo ou uma data limite para se envolver com alguém, se for isso que você quer.

Da mesma forma, nunca é tarde para avaliar se as relações que você tem ainda fazem sentido. Não é vergonhoso se divorciar depois de um casamento de 10, 15, 25 anos ou até mais.

Precisamos ir atrás na nossa felicidade, sem medo de estarmos sozinhas em alguma parte do caminho.

Devemos nos sentir completas, porque de fato somos! E se outra pessoa completa nos despertar o interesse, podemos compartilhar a vida com ela. Ou não. Porque ser livre também é bom.

 

Só você poderá enxergar a sua realidade de forma positiva, tirar o melhor do momento que está vivendo.

E é muito importante a compreensão de que sozinha não significa solitária. Estar sozinha em paz é uma forma de celebrar a sua própria existência, de encontrar conforto na sua própria companhia. E como bem disse a incrível Martha Medeiros, “Solidão não se cura com o amor dos outros. Se cura com amor-próprio”.

Um grande beijo!


Política como ferramenta de transformação

Vivemos tempos complexos. Realmente difíceis.

As mulheres são as mais afetadas em um cenário de insegurança alimentar.

As mulheres negras são 28% da população, mas ainda tendem a ter uma participação menor no mercado de trabalho, com taxas maiores de desemprego ou informalidade.

Cada semana uma notícia estarrecedora domina os noticiários envolvendo violência sexual com mulheres e meninas...

Mas este ano, as mulheres representam 53% do eleitorado, em um universo de cerca de 150 milhões de eleitores no Brasil. Isso significa que temos 8,5 milhões de mulheres a mais do que homens que vão votar.

 

Quando o assunto é política, números fazem a diferença e quanto mais gente somar para garantir direitos e termos mais equidade, melhor.

Quem nos acompanha há algum tempo sabe que somos parceiras do Instituto Vamos Juntas, uma organização suprapartidária que trabalha pela promoção da presença feminina nos espaços de poder.

 

 

Porque não podemos esquecer que a política é, antes de mais nada, uma ferramenta para que a vida em sociedade seja melhor. Ou pelo menos é o que deveria ser.

Vivendo em tempos de polarização, diálogos importantes e construtivos acabam perdendo espaço porque temos que defender preceitos básicos.

É difícil não entrar em debates de forma acalorada. Acabamos associando preferências políticas ao caráter da outra pessoa, o que de fato se aplica a alguns valores que não podem ser ignorados como, por exemplo, qualquer tipo de preconceito ou discriminação.

Fica difícil ter um ambiente adequado para a construção da sociedade mais justa e igualitária que precisamos, quando estamos debatendo e brigando pelo que já deveria ter sido superado.

Foi em 2016 que o Fórum Econômico Mundial constatou que, se a implementação de políticas de gênero continuasse no mesmo ritmo, o Brasil levaria 95 anos para atingir a igualdade entre homens e mulheres. Isso é, quase um século até ter os nossos direitos e participação plena.

 

 

Ter mais mulheres, sobretudo no Congresso onde são criadas as leis, é essencial para reverter esse cenário e tirar o Brasil da 144ª posição do ranking que avalia a participação feminina nas casas parlamentares.

E além de ter mais mulheres atuando diretamente na política, nosso papel como cidadãs é também o de acompanhar o que está em debate. A plataforma Elas no Congresso faz um monitoramento muito importante dos parlamentares que mais atuam em favor das mulheres.

Quando falamos em violência política, que é um problema de direitos humanos, prejudicial à democracia e ao progresso, é alarmante termos o dado de que 82% das mulheres em espaços políticos já sofreram violência psicológica, 45% já sofreram ameaças, 25% sofreram violência física no espaço parlamentar, 20% assédio sexual e 40% das mulheres afirmaram que essa violência atrapalhou sua agenda legislativa.

Precisamos promover a adoção de marcos legais ou outros instrumentos destinados a enfrentar a violência política contra as mulheres, para que elas possam trabalhar por todas nós.

Só assim os problemas do dia a dia, da falta de creches à violência no transporte público, da diferença salarial injustificada à manutenção das desigualdades sociais e de gênero poderão ser combatidas com mais força e celeridade.

Como disse a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet:

"Quando uma mulher entra na política, muda a mulher. Quando muitas mulheres entram na política, muda a política."

Juntas podemos construir o que queremos!

Um grande beijo!

 


Só prazer por aqui!

25 de julho é o Dia do Orgasmo e queríamos fazer algumas considerações.

A data tem sim uma origem comercial, afinal foi criada em 1999 por uma rede inglesa de sex shops, com o objetivo de aumentar a venda de seus produtos.

O primeiro slogan comemorativo foi “Atinja, não finja” por causa de uma pesquisa realizada à época que apontava que 80% das inglesas não conseguiam chegar ao orgasmo.

Por aqui os dados são igualmente impactantes já que uma pesquisa da USP apontou que somente metade das brasileiras consegue ter orgasmo durante as relações sexuais.

 

Por que isso acontece?

Na verdade são muitos fatores envolvidos. Desde a repressão histórica sobre a sexualidade da mulher, que culminou em diversos tabus sobre tocar o próprio corpo, ter experiências e viver sua sexualidade, até o machismo que colocou as mulheres em um lugar de que deveríamos priorizar a satisfação dos nossos parceiros.

Tem também a questão fisiológica que faz com que em média, mulheres demorem mais para chegar lá (algo que não tem absolutamente nada de errado). E a questão psicológica, porque nosso prazer começa na cabeça. Se estivermos tensas, desconfortáveis, inseguras ou ansiosas, isso dificulta ainda mais se entregar a um momento de prazer.

A Dra. Carolina Ambrogini falou sobre a sexualidade feminina na segunda edição da COLORIDO, já que o tema da revista foi justamente “Dor e Prazer”.

 

Ela também falou de diversos outros temas, como a relação de mulheres com pornografia, sexo durante a TPM e gravidez, e o desejo após a menopausa.

Para conferir a edição completa é só clicar aqui.

Precisamos ter intimidade com nosso corpo. Conhecer cada cantinho dele. Explorá-lo.

Porque quanto maior nossa intimidade com nós mesmas, mais fácil será encontrar o que nos causa prazer, seja sozinhas ou em uma relação. Então se toca mulher!

 

Vale lembrar que a única função do nosso clitóris é a de nos proporcionar prazer. São 8 mil terminações nervosas que estão lá para isso!

Também é importante ressaltar que, no sexo, o orgasmo não deve ser o único objetivo. Toda a troca envolvida nesse momento é válida. A conexão, o carinho trocado com outro corpo, isso não deve ser menosprezado porque estamos muito preocupadas apenas em chegar ao final, em atingir o principal objetivo.

E se a gente pensar bem, não é que isso se aplica a quase tudo na nossa vida? Vivemos sempre tão focadas nas metas, que nem curtimos a viagem até elas.

Quando o assunto é sexo e prazer, precisamos estar presentes. Curtir tudo. E isso começa quando a gente se permite sentir. Podemos ter orgasmos clitorianos, vaginais, múltiplos. Temos todas essas possibilidades. Viva toda a sua potência orgástica!

 

 

A palavra “libido” vem do latim e significa desejo ou anseio. Uma verdadeira energia que nos mobiliza a realizar coisas. E precisamos dessa energia, não somente de forma sexual.

Que a sua semana seja cheia de tesão por viver!

 


Arte e mudança social. Tem coisa melhor?

Nós amamos o poder transformador da arte.

Aquela música que consegue transmitir o que estamos sentindo.

Um filme que mexe com a gente e continuamos pensando nele por muito tempo depois de assistir.

Um quadro que com suas formas e cores nos impacta.

A vida sem arte seria muito sem graça!

E se a arte por si só já tem esse poder de nos tocar de um jeito especial, de transformar nossa visão de mundo, nos educar e espalhar uma mensagem importante, ela pode ser ainda mais poderosa quando utilizada como ferramenta de transformação social.

Estivemos no lançamento do clipe “Lovezinho” da maravilhosa Rachel Reis que você pode conferir aqui.

 

O vídeo, dirigido pela Lu Villaça (nosso audiovisual está muito bem representado pelas mulheres!), tem uma atmosfera única e uma fotografia pra lá de envolvente.

Como parte do cenário, estão as obras dos artistas plásticos Íldima Lima, Breno Loeser e Heitor Caetano que celebram as mulheres negras remetendo à sua ancestralidade e potência.

Esses quadros serão leiloados e toda a verba arrecadada será destinada ao Instituto Free Free, para ajudar mulheres em situação de vulnerabilidade.

E tem mais! Tanto o Breno como o Heitor vão dar mais um quadro exclusivo, criado especialmente para quem arrematar as obras maiores que já estão disponíveis no site do leilão.

 

Já a obra da Íldima vai viajar até à Europa para o evento de lançamento do Free Free World por lá. O quadro também será leiloado e o dinheiro arrecadado vai ser utilizado para os nossos projetos sociais aqui no Brasil. Levar uma artista brasileira para além das nossas fronteiras e ter o impacto social aqui é um motivo de muito orgulho para nós!

 

 

O leilão fica disponível até o dia 4 de agosto e alguém vai ter muita sorte de levar esses quadros maravilhosos para casa e ainda ajudar mulheres a terem autonomia e liberdade.

Nesse vídeo a Rachel Reis, Íldima Lima e Lu Villaça falam da parceria com o Free Free.

Fica aqui o convite para participar do leilão, dar um lance ou compartilhar com quem você acha que pode somar a esse movimento de transformação social!


Sobre meninas pretas e amoras

Ei, mulher! Como vão as coisas?


Espero que estejam bem!


Hoje, é o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Sim, nós, pretinhas, temos um dia pra chamar de nosso! Mas infelizmente, ano após ano, nessa data temos muito mais a reivindicar do que a comemorar. Porém, dessa vez, eu não quero falar de dor, quero falar de algo muito maior: o nosso reencontro com nós mesmas.

Hoje, eu vi uma coisa muito bonita e quero compartilhar com vocês, a minha amiga Ione Maria (que por sinal é uma artista incrível) estava na praia, quando uma criança foi até a ela contar que a achava parecida com sua boneca.

 

 

 

Eu, que nasci nos anos 90, e só tive bonecas e referências brancas, me sinto agradecida por esses novos tempos onde a representatividade (mesmo que muito pequena) existe e faz com que as nossas meninas cresçam, conseguindo ter um outro olhar sobre si mesmas. Que, hoje, elas consigam se ver como princesas, como mulheres lindas e inspiradoras que um dia serão. 

Um viva aos vários movimentos históricos que lutaram para que chegássemos até aqui, e pudéssemos ver brilhar mulheres como: Maju Coutinho, Eliane Dias, Samantha Almeida, Djamila Ribeiro, Sueli Carneiro, Mc Soffia e tantas outras, porque, quando olhamos para elas percebemos que sim, é possível chegar em lugares que antes não eram destinados a nós. A esses movimentos, a nossa gratidão!

Que nós continuemos avançando e honrando nossas ancestrais. E que lutemos para que as nossas meninas consigam conhecer cada vez mais cedo, o orgulho de nascer preta. Porque nós fomos, somos e sempre seremos rainhas!

 

 

 

Esse mês tivemos também o dia do rock e adivinha só quem criou esse gênero musical? Sim, uma mulher preta. (2 min)

Esse podcast da Rádio Batuta sobre o universo da música afro-brasileira.

Novas imagens do universo. (1:33 min)

Bora ler?

Amoras (o livro que inspirou o título dessa edição) 

Um livro infantil escrito pelo Emicida. Esse vídeo já diz tudo que poderia ser dito sobre ele. 

"Que a doçura das frutinhas sabor acalanto

Fez a criança sozinha alcançar a conclusão

Papai que bom, porque eu sou pretinha também".

 

Deus há de ser - Elza Soares 

Ai que saudades da maior <3  

Bora ouvir? 

Sueli Carneiro dando a letra para o Mano Brown sobre negritude e resistência. 

Bora assistir? 

Cores e botas: Da diretora Juliana Vicente, é um curta que conta o sonho de uma menina em ser paquita e abre a discussão: por que não tem paquita preta?

 

 

Até a próxima! 

 

 

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Transpor fronteiras 🚀

Oi Freefree, tudo bem por aí?

A Nasa divulgou as primeiras imagens do telescópio James Webb, considerado o maior já construído.

 

Olhar esses pontinhos de luz, sabendo que eles representam uma infinidade de galáxias, em uma faixa que pode ser percebida por nossos instrumentos, me faz pensar o quão pequenas somos.

Não digo isso em um sentido negativo, de diminuir a nossa existência ou sentimentos. Eles existem e são válidos. Toda vez que estou sofrendo por um “drama menor” costumo pensar “qual vai ser a importância disso daqui 100 anos?” e geralmente boa parte da minha angústia diminui. Você pode tentar isso também!

O ponto é que, na escala do universo, mesmo sendo tão pequenas temos uma caminhada tão longa e tão bonita.

Somos responsáveis por tantas revoluções e avanços. Nós criamos música. Criamos arte. Curamos e salvamos vidas. E se isso por si só já não é uma baita justificativa para a beleza da nossa “pequena” existência terrestre, mesmo com todos os seus percalços, eu não sei dizer o que seria.

Na escola eu sempre fui apaixonada por ciências. Adorava as aulas práticas em laboratório, tive meu kit caseiro que era um brinquedo quase obrigatório das crianças dos anos 90, e embora houvesse a recomendação de mexer nele com a supervisão de um adulto, eu fazia todo tipo de mistureba química no quintal, sob o sol. Felizmente sem queimaduras ou explosões!

Mas não segui essas ciências na minha vida profissional, afinal também sou apaixonada por literatura, por ouvir e contar histórias, por cultura (geminiana que chama né). O caminho das humanidades acabou sendo o escolhido.

Lembro também que lá com os meus 14 ou 15 anos fiz um curso gratuito na Escola de Astrofísica, que fica no Parque Ibirapuera em São Paulo. Fiz por curiosidade mesmo e entre muitas opções que eram mais “técnicas”, escolhi a de História da Astronomia. Só tinha eu e mais duas meninas em toda a sala.

 

É lindo, pelo menos eu acho, explorar as fronteiras no universo, resolver mistérios sobre a nossa origem, descobrir o potencial que existe por aí e conhecer coisas que nem sabemos que não sabemos.

Isso está diretamente ligado à evolução da ciência, e portanto da tecnologia, que é a forma instrumentalizada de aplicar a ciência no dia a dia, de convertê-la em bens de consumo ou serviços.

Mas nas últimas quatro décadas a diferença de gênero aumentou nessa área, da tecnologia, com apenas 1 mulher a cada 5 pessoas que trabalham na indústria.

Em escala global, estima-se que em 2021 as mulheres representavam 32,2% da força de trabalho nos postos gerais em empresas de tecnologia e 24% nos cargos técnicos, com uma previsão de chegar a 32,9% nos postos gerais e 25% nos técnicos em 2022.

 

É estranho perceber essa diferença, quando nós, mulheres, estivemos na origem de tudo.

Foi Ada Lovelace que criou o primeiro algoritmo processado por uma máquina.

Na Segunda Guerra Mundial, mulheres foram responsáveis por operar os primeiros computadores já criados.

Hedy Lamarr foi responsável pela base da tecnoloia que deu origem ao Wi-Fi, algo tão comum no nosso dia a dia.

Curiosamente, nos anos 1960 programação e codificação eram quase considerados como “trabalho de mulher”.

E não podemos deixar de citar Annie Easley, cientista da NASA que foi pioneira do ponto de vista de gênero e racial. Aliás, para quem gosta do tema, o filme “Estrelas Além do Tempo”, de 2016, é baseado na história real de três cientistas negras que trabalharam na NASA durante a Guerra Fria e que colaboraram na corrida espacial.

 

Para se interessar por uma área, basta existir o contato, a familiaridade.

Recentemente a Camila Achutti falou em uma entrevista sobre sua relação precoce com computadores por causa do trabalho de seu pai. Disse ainda que aquele equipamento nunca foi algo proibido, pelo contrário, tanto o pai quanto a mãe estimularam a curiosidade da filha. Foi mexendo desde pequena que surgiu seu interesse e ela foi a única mulher da sua turma a se formar em ciências da computação em 2013.

Vale lembrar também que a Camila Achutti participou da primeira edição da revista COLORIDO da Free Free, com nada menos do que... poesia, já quebrando o estereótipo da pessoa tech, racional com dificuldade de expressar sentimentos.

 

 

São essas barreiras que devemos quebrar, de que algumas áreas são mais propensas para mulheres e outras para homens, para aumentar a participação feminina na STEM (sigla em inglês para Science, Technology, Engineering and Mathematics/Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Aquele pensamento de que homens são mais racionais, mulheres mais emotivas, que eles devem ser os provedores e elas responsáveis pelos cuidados do lar, é absolutamente ultrapassado e não condizente com o mundo que temos hoje. Não faz sentido explorarmos as fronteiras do universo e ter barreiras de acesso ou baixa participação de mulheres em carreiras técnicas da tecnologia.

Até porque incorporamos muito rápido os avanços tecnológicos. Podemos citar como exemplo as redes sociais, hoje dominadas até por crianças pequenas. Elas começaram a se popularizar em 2008, apesar de seus protótipos anteriores, e já fazem parte do nosso cotidiano seja para trabalho, consumo ou lazer.

A tecnologia está no dia a dia e todos se beneficiam dela. Porque ela não traz apenas conforto e qualidade de vida. É um propulsor da economia que está desenhando o nosso futuro.

E quando falamos em projetar o futuro, construí-lo... isso não pode ser feito sob o olhar de apenas uma parcela da população. Devemos ter mulheres em todo o processo.

Já que comecei falando da NASA no começo dessa newsletter, vale lembrar da Artemis, a missão que vai levar a primeira mulher à Lua até 2025. Mais do que o marco que isso representa, é uma inspiração para as futuras gerações. E o nome faz todo sentido, já que Ártemis foi a deusa grega da Lua, da natureza, da caça, dos partos, enfim uma mulher multifacetada, como toda mulher.

Que possamos cada vez mais nos jogar em nossos múltiplos interesses e transpor toda e qualquer fronteira.

E ainda falando sobre universo(s), fica aqui o convite para você conhecer a Free Free House no metaverso. Já estamos por lá e as portas estão abertas para todas!

Um beijo!


Em frente

Sabemos que...

Tempos de crise sobrecarregam as mulheres

Mulheres são as primeiras a serem demitidas em uma crise

A divisão do trabalho doméstico ainda é pra lá de desequilibrada

Tá, eu sei que ninguém aguenta mais ouvir a palavra pandemia, mas a revista científica The Lancet publicou recentemente um estudo que demonstra como as mulheres foram as mais afetadas pela crise sanitária em diversos campos, como trabalho não-remunerado, educação, emprego e violência.

Notar que em uma crise, qualquer crise, as mulheres são sempre as mais impactadas reforça a ideia de que ter um olhar de gênero como forma de combater o sexismo estrutural se faz necessário e urgente.

A conquista de direitos deveria ser algo linear, que segue em apenas uma direção. Não deveríamos correr risco de perdê-los após termos conquistado.

 

Mas não é assim.

Em tempos em que as pessoas ainda fazem uma leitura de que o feminismo quer colocar homens e mulheres em posições antagônicas, quando na verdade se busca a equidade para chegarmos à igualdade, parece que nada é garantido.

Direitos das mulheres são direitos humanos essenciais para se chegar à justiça social.

Mas os problemas que há muito já deveriam ter sido superados voltam para nos assombrar. Talvez você esteja acompanhando o podcast “A mulher da casa abandonada” que revela o quão recente é a prática de um dos crimes mais absurdos, o de submeter um outro ser humano em condições análogas à escravidão. E o pior, que é possível sair impune.

Mais preocupante são os dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, que apontam que mais de 58 mil pessoas foram resgatadas de trabalhos análogos à escravidão de 1995 a 2022.

A professora e historiadora Flávia Biroli fala da importância de “desnaturalizar” a desigualdade e violência, e de como isso gerou uma inacreditável reação na direção contrária. “A agenda da igualdade de gênero foi parte da construção e aprofundamento das democracias em diferentes níveis, na segunda metade do século XX. O sistema internacional de direitos humanos se ampliou e se modificou com as pressões dos movimentos de mulheres e feministas, de modo a dar visibilidade (desnaturalizar) e produzir compromissos para a superação da violência e da desigualdade de gênero. As reações, que se iniciaram nos anos 1990 e se tornariam mais coordenadas a partir da segunda década do século XXI, procuram retroceder as conquistas e, principalmente, colocar em xeque a legitimidade política conquistada para essas agendas e políticas de gênero. Trata-se, como definiu Juan Vaggione, de uma ‘politização reativa’. Ela vai no sentido da retradicionalização dos papéis, da renaturalização das desigualdades e da violência”.

Não podemos aceitar a perda de direitos e da liberdade.

Aceitar que as atividades de cuidado e domésticas sejam associadas apenas à mulher.

Reduzir nosso papel ao da maternidade, quando isso é uma escolha.

Que um feminicídio aconteça a cada 7 horas.

 

"Onde há justiça, há cura"

 

E daqui para frente, todas as questões precisam de um olhar de gênero, pois como disse Sima Bahous, diretora executiva da ONU Mulheres, “as crises interligadas que enfrentamos hoje continuam a agravar os impactos umas das outras como multiplicadores de ameaças. Mas as mulheres são as multiplicadoras de soluções”.

Os problemas existem, ou melhor, persistem, e não podemos abdicar da nossa participação e voz ativa em sua resolução, afinal, somos as mais interessadas.

Construir um mundo mais sustentável, mais justo e mais seguro para todas as próximas gerações é algo que precisamos fazer hoje.

E por isso é tão importante não abrir mão de nenhum direito ou da nossa liberdade.

 

"Por um futuro com igualdade"

 

Em frente e para melhor. Esse é o único caminho!

 


Um assunto difícil que precisa ser falado

A violência, além de cruel por si, é mais perigosa quando passamos a normalizá-la.

Podemos tentar fugir. Restringir os conteúdos que chegam até nós nas redes sociais. Usar filtros que indicam cenas fortes, gatilhos.

Infelizmente nada disso faz com que a violência deixe de existir.

É necessária toda uma articulação para combater os estigmas que seguem presentes em nossa sociedade. E o primeiro passo é falar sobre eles.

Em 2021, 98 crianças e adolescentes de até 13 anos foram estupradas por dia (Fórum de Segurança Pública/Instituto Liberta). Isso representa 35.735 vítimas, nessa faixa etária, no ano. Sendo que em 85% dos casos as vítimas eram meninas e 80% dos estupradores pessoas próximas como pais, padrastos, irmãos, primos, tios...

Ou seja, 98 vidas marcadas por um trauma, que em grau maior ou menor podem ter dificuldades de confiança, passar por um longo processo de (re)construção da autoestima, ou ter problemas com a própria sexualidade no momento em que ela deveria ser algo natural.

 

 

Isso para falar de algumas das consequências psicológicas. Porque existem as físicas também, e a gravidez é uma delas.

Se uma gravidez não planejada na adolescência já tem grandes impactos, que podem ir da evasão escolar à renúncia de oportunidades, quando ela decorre de uma violência não deveria estar em questão a defesa do direito ao aborto.

A lei prevê a interrupção da gravidez em três casos: estupro, risco à vida da mulher e anencefalia do feto.

Passar por um aborto nunca será algo fácil.

Ninguém quer passar por um.

Seja quando ocorre de forma espontânea ou não. E realmente deveria ser a última opção a ser escolhida, quando todas as demais falharam. Mas contar com esse recurso, ainda mais nos casos já previstos em lei, não deveria ser tão burocrático e alvo de julgamento sobre as meninas e mulheres que precisam dele.

O @oadalbertoneto explicou muito bem nesse vídeo sobre uma comparação inadequada que vemos muito nas redes sociais, falando que o abandono paterno é o aborto mais legalizado no Brasil. Não devemos comparar o que é uma escolha da mulher, um direito sobre seu corpo, com a irresponsabilidade de abandonar um filho.

É compreensível o discurso de quem se coloca contra o aborto do ponto de vista ético. Da mesma forma que temos outras escolhas pessoais como a de não comer carne ou não consumir de marcas e empresas que não sigam boas práticas. Você pode ter seus valores e segui-los em sua vida, mas precisamos ter consciência de que as pessoas vivem realidades distintas e têm suas próprias concepções do que é melhor a fazer. Devemos ter liberdade para fazer nossas escolhas em qualquer situação.

Foi Simone de Beauvoir que disse:

 

No caso dos Estados Unidos, com o fim da garantia do direito ao aborto em todo o país, delegando aos estados a decisão de permitir ou não a prática, abre-se um precedente perigoso para qualquer outra lei criada para proteger, incluir ou beneficiar uma determinada população. Não se trata de ser conservador ou progressista. Toda perda de direitos é um regresso. Em 2020, quando a Argentina tornou o aborto legal vimos a comemoração de mulheres na rua, felizes pela conquista política que significava o fim dos procedimentos clandestinos de risco, de mortes de mulheres que poderiam ser evitadas. De forma geral, nos países onde o aborto é legalizado, a tendência é a de que o procedimento tenha queda ao longo dos anos.

 

 

Melhor do que passar horas discutindo se somos a favor ou contra o aborto seria falar da importância da educação sexual como forma de prevenção à violência, à gravidez indesejada e às ISTs. Cobrar a disponibilidade dos métodos contraceptivos, estimular seu uso e não tratá-los como um tabu.

Descriminalizar o aborto para salvar vidas, educar as próximas gerações, combater a violência para que, assim, talvez ninguém mais precise de um aborto. Esse é o caminho.

 

Uma boa semana!


Definir não é limitar 🌈

Estamos na semana do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+ em um mês que a diversidade e o respeito são temas falados em todo lugar.

Mas quando falamos de orgulho estamos falando muito mais do que aceitação e amor próprio.

Devemos sim ter orgulho de cada característica que faz a gente ser quem é. Nossa sexualidade, a forma como vivenciamos o amor, é uma delas. Mas somos muito mais complexas que isso.

Chegamos nesse mundo como telas em branco e ao longo dos anos vamos ganhar nossas próprias cores, definir o que gostamos, o que queremos expressar, como vamos deixar nossa marca nos lugares que vamos passar e nas pessoas que vamos encontrar.

 

 

O que não dá para entender é como uma, dentre tantas coisas que nos definem, pode ainda ser alvo de preconceito, violência e de exclusão.

A essa altura deveríamos ter a liberdade para apenas ser, amar, viver.

Talvez a inclusão que precisamos passa justamente por pararmos de tentar encaixar as pessoas em caixinhas, sejam elas quais forem, e passar a enxergar todos como humanos cheios de potencialidades que vão muito além das que declaramos ou que são visíveis.

Infelizmente quando o assunto é educação e mercado de trabalho, muitas pessoas da comunidade LGBTQIAP+ ainda têm dificuldades a mais.

A adolescência, um período que de forma geral é difícil para todo mundo, por estarmos no processo de descobrir quem somos e qual o nosso lugar no mundo, com sentimentos muito intensos, é muito pior quando aquilo que você é se torna alvo de bullying. E nas salas de aula, 68% os estudantes trans afirmam já terem sofrido agressões verbais e 25% foram alvo de agressões físicas.

Fugir à heteronormatividade, pode significar uma incidência de 45,5% de ao menos um transtorno emocional, geralmente depressão e ansiedade, enquanto entre os heterossexuais este número é de 26,42%.

E num mercado de trabalho complicado para todos os brasileiros, 41% das pessoas LGBTQIAP+ afirmam ter sofrido algum tipo de discriminação em razão da sua orientação sexual ou identidade de gênero no ambiente de trabalho. Já 90% das travestis se prostituem por não terem conseguido nenhum outro emprego, até mesmo as que têm boas qualificações.

Temos notícias estarrecedoras como a de que cirurgias de redesignação sexual poderão ser restringidas pelos planos particulares de saúde. Enquanto pelo SUS é possível conseguir a hormonioterapia e cirurgia, apesar dos relatos de demora e burocracia.

Sem contar o monte de frases que já deveriam ter sido banidas de todas as conversas como “nossa, mas você não parece gay”, “que desperdício”, “você não é bi, só está com medo de se assumir”, “você parece homem/mulher de verdade”, entre tantas outras.

Mas nem tudo é ruim. Um relatório mostra que a comunidade LGBTQIAP+ teve 456 conquistas em todos os continentes ao longo de 2021, sinal de que a luta constante gera sim progresso.

 

 

"O amor é muito bonito para ser escondido" - @sundaekids

Então mais do que um dia ou mês do orgulho, que têm sim sua importância para a conscientização, é preciso lembrar que todo dia é dia de abraçar quem se é, se amar, mesmo num mundo que insiste em ser hostil. É o mundo que precisa mudar, não a gente!

Grande beijo e #happypride 🌈

 


Sobre o medo de amar

Ei, mulher! Como vão as coisas? 

Espero que estejam bem!

Eu sou um dos frutos de uma relação que já foi muito tóxica, e crescer num ambiente de hostilidade, sofrimento e violência causam marcas tão profundas, que é até difícil traduzir em palavras. Mexe com a nossa autoestima, com a noção que temos  de merecimento, e faz com que a gente banalize situações desrespeitosas. 

Eu cresci desesperada por amor, aceitava qualquer migalha de afeto, qualquer gesto de carinho, e tinha (ainda tenho) uma necessidade absurda de agradar gregos e troianos. Mas isso desgasta demais! Me meti em tanta relação falida, que cansei de tentar e comecei a fugir de relacionamentos amorosos. Meu status civil é: à espera de um milagre! Infelizmente, eu tô falando sério. 

A vida vai passando e a gente foca em progredir profissionalmente, conquistar as nossas coisas e, no meu caso, ser 100% independente. Depender de um homem? Jamais! Foi assim que a minha mãe passou anos sendo humilhada e maltratada, eu não queria o mesmo destino, e foquei em mudar a minha história. 

Mas eu não quero ser só a mulher que cuida, também quero ser a mulher que é cuidada, mesmo que lá no fundo, essa ideia me traga uma certa resistência. 

Sim, eu sei que você deve estar pensando: "Você não precisa de um homem para ser feliz e etc", e não preciso mesmo, mas, quero. Esse é o ponto!

Eu quero ter um relacionamento e um colinho pra deitar nos dias difíceis, quero ter uma história de amor para contar para os meus netos.

Sim! Eu também quero ter filhos! Ai de nós que somos românticas, né? Rs!

A minha terapeuta me diz, pelo menos uma vez por mês, que eu tenho que parar de sabotar as minhas relações e, também, parar de fugir dos meus sentimentos. Porque só assim, eu vou conseguir me libertar para viver uma história que caiba outro alguém. Como é que pode a gente adiar uma coisa que quer viver, porque tá com medo? Às vezes, me pego pensando em como o ser humano é complexo, para não dizer completamente louco. Rs! 

Mas seguimos por aqui, cuidando da mente e do coração, porque no fim a mensagem que fica pra mim é: Se você tem medo do amor, tem coragem pra quê?

O amor cura!  

Ps: Queria agradecer todas as DMS que recebi sobre o meu texto do mês passado. Eu prometi pra mim mesma que essa newsletter ia ser mais leve, mas sei lá, ando numa fase meio verdadeira e visceral demais. Prometo, mais uma vez, tentar fazer a próxima ser pra cima, torçam aí por mim! 

Metade do ano passou (ou talvez não rs) e eu me encontro 100% assim

A- COR- DA Pedrinho e outras músicas que o Tik Tok transformou em hit.  

Ara, o elenco de Pantanal nos fazendo querer participar dos bastidores da novela. 

Comer peixe pode ser sustentável? (Em inglês) 

Licença menstrual é mesmo um benefício? 

Como as mulheres administraram sua menstruação ao longo do século? 

Eu não sei vocês, mas eu sempre tive curiosidade de saber mais sobre a margem de confiança de pesquisas, e achei esse vídeo bem explicativo. 

Esse meme sobre a Balenciaga me tirou umas boas risadas, mas tem muita coisa interessante sobre a marca. 

Falando em moda, cês ficaram sabendo da parceria do Free Free com a Allmost Vintage? Além de ter peças lindas uma parte do lucro vai ser revertida para o Instituto Free Free para libertar ainda mais mulheres pelo mundo, corre aqui pra ver.  

Quero todo mundo assim a partir de hoje, hein! 

É Hit. 

Alô geração MTV, esse é o nosso momento! No mês do orgulho LGBTQIA+ eu só consigo lembrar desse clipe que chocou muita gente na época, pra mim ele é um clássico e essa música é um hino. 

E vamos enaltecer essas rainhas aqui também ❤️

 

Bora ler?  

O ano em que disse sim -  Shonda Rhimes. 

É um livro sobre a vida da Shonda e toda uma série de mudanças que começaram quando ela começou a aceitar os convites e se permitir fazer coisas diferentes. É perfeito como tudo que a deusa Shonda coloca as mãos.

 

 

Para assistir: 

Irmandade - NETFLIX 

É uma série sobre facção, sobre família e principalmente sobre sistema carcerário. Causa boas reflexões, tem uma trilha sonora incrível e ainda tem o Seu Jorge no elenco, é 10/10. 

 

Até mais! 

 

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