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A_Gente se une pelo fim da violência

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Você não é culpada. E mesmo que já tenha errado, afinal todos erramos, nada justifica uma agressão, seja ela física ou não. A violência contra a mulher nunca ocorre de forma óbvia. Ninguém se relaciona com um agressor já sabendo o que estaria por vir. E quem nunca esteve em um relacionamento assim, muitas vezes não entende como uma mulher continua vivendo nessa situação de perigo.

A natureza dos sentimentos humanos é complexa e muitas vezes é possível sentir sim afeto e medo ao mesmo tempo. A violência geralmente ocorre em ciclos, onde a agressão é sucedida por pedidos de desculpa, arrependimento e promessas de mudança. E muitas mulheres têm a esperança de que o agressor vai mudar. Como parentes e amigas, não devemos julgá-las, mas auxiliar a romper esse ciclo antes que seja tarde demais.

A mulher que é vítima da violência deve contar com apoio e empatia. Muito mais do que ser repreendida, ela deve ser acolhida. Ainda mais porque mesmo quando ela consegue sair da situação de risco, o medo e o trauma permanecem e precisam ser curados.

Neste período de quarentena diversos estados do Brasil registraram um aumento do número de denúncias e atendimentos prestados a mulheres, comprovando que o lugar que deveria ser o mais seguro para se estar, seu próprio lar, é perigoso para quem vive com o agressor.

Em caso de urgência ou de um acontecimento em tempo real da violência, agressões e ofensas, a Polícia Militar deve ser acionada por meio do telefone 190, e posteriormente registar um Boletim de Ocorrência no Distrito Policial mais próximo.

A Central de Atendimento à Mulher recebe denúncias, que podem ser anônimas, 24 horas por dia em todo o país através do número 180.

Se você vive em situação de violência não sinta medo ou culpa de lutar por você. Nada deve ser mais importante que a sua vida e segurança. Todas merecemos ser amadas e cuidadas, a começar por nós mesmas.

Zebra Zebra Live

Yasmine Sterea conversou com a promotora Valéria Scarance, coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público do Estado de São Paulo, e Jamila Ferrari, delegada de polícia e coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) em São Paulo, no Zebra Zebra Live no Instagram onde falaram sobre a violência contra a mulher neste período de pandemia por conta do coronavírus.

Para a Dra. Valéria, quatro fatores de risco puderam ser notados com a quarentena. “O primeiro é o próprio isolamento, sendo que a mulher deixa de conviver com outras pessoas, em segundo temos o maior controle, quando o casal que vive um relacionamento abusivo fica sozinho, em terceiro o consumo de álcool e drogas, que sozinhos não tornam uma pessoa violenta, mas podem estimular um ato de violência por quem já tem essa característica, e em quarto os problemas econômicos, quando o homem e a mulher perderam seus empregos e tem mais essa tensão para lidar”, explica.

A promotora também afirma que é preciso descontruir a imagem da violência doméstica apenas quando ela ocorre de forma física. “Esqueçam a imagem do olho roxo. Antes disso ocorrer, acontecem muitas outras violências. Precisa identificar o quanto antes e impor limites. Quem tiver medo deve procurar ajuda”, afirma Valéria Scarance, que ressalta que o sentimento de culpa é recorrente entre as vítimas, embora não devesse ser. Isso ocorre porque na maioria dos casos, o agressor só é violento com a própria vítima, e não com outras pessoas. “Nenhuma mulher é culpada pela atitude do parceiro. A violência é culpa de quem a pratica”, completa.

Quem não tiver com quem conversar sobre uma situação de violência doméstica ou que esteja com dúvidas para identificar os sinais de atenção, pode utilizar a MAiA (Minha Amiga Inteligência Artificial), uma chatbot lançada em março de 2020 pelo Ministério Público de São Paulo em parceria com a Microsoft, que pode para dar todas as orientações necessárias sobre os perigos de relações tóxicas e abusivas.

A delegada Jamila Ferrari afirma que desde o início da quarentena caíram os registros feitos de forma física de boletins de ocorrência e com isso foi feita uma força-tarefa para incluir os registros de violência doméstica na delegacia eletrônica. “Não podíamos ficar inertes então a delegacia eletrônica passou a atender os casos de violência doméstica também. Nós mulheres temos que estar unidas e nos proteger”, diz.

Assista o Zebra Zebra Live aqui:

Campanha

Às vezes tudo que uma mulher precisa para ter coragem de denunciar uma situação de violência é apoio, é ter uma mão amiga para contar em um momento tão difícil.

Para estender a mão e ser a rede de apoio para quem precisa nesse momento não devemos julgar e sim acolher.

O FreeFree e o Núcleo de Gênero do Ministério Público do Estado de São Paulo realizam a campanha de conscientização #A_Gente se une pelo fim da violência com participação de Thaila Ayala, Laura Brito, Jessica Aronis, Maya Gabeira, Cleo, Claudia Leitte, Sophia Abrahão, Thelma Assis, Patricia Santos, Gracie Carvalho, Laysa, Rebeca Costa, Terry Massari, Patricia Santos, Milena Ricciardi e Bárbara Dantine. Com texto e idealização de Yasmine Sterea, diretora criativa e fundadora do Free Free, e Valeria Scarance, promotora de justiça e coordenadora do Núcleo de Gênero do MPSP.

Produção: Pedro Venticinque
Edição e finalização: Wendel Castro

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